sábado, 6 de agosto de 2011

Just a thougth.

Vi esta foto no blog www.thesartorialist.com e pensei em fazer um post sobre um aspecto social que (quase) só se verifica no nosso país: porque é que as pessoas não vivem mais as cidades?

Penso que esta imagem, da jovem a ler e a beber na rua, mais propriamente sob um corrimão (!!) da escadaria para o metro, nunca poderia ter sido captada em Portugal. Foi tirada na grande maçã, mas nem precisava de vos dizer isto, certo? Em Lisboa já se vê um pouco este estilo de vida mas nem de perto chega a cidades com Nova Iorque, Londres, Berlim, Madrid etc.

Não me parecer que é por não termos as infra-estruturas necessárias: temos uma baixa da cidade que melhora todos os meses, um parque da cidade fantástico, um faixa costeira de centenas de quilómetros, um clima excelente e mesmo assim parece que toda a gente se enfia em casa ou nos shoppings (guilty!). Um Nova Iorque é natural ver-se empresários a comprar na rua hot-dogs e saboreá-los mesmo ali, sentados nas escadas mais próximas. Em Berlim ou a na sub-desenvolvida Praga (será mesmo?) as ruas estão constantemente apenhadas de gente apesar de anoitecer às 17h e terem de suportar temperaturas de -10Cº. O Hyde Park enche-se todos os fins-de-semana mesmo com um nevoeiro assustador.

Acho que tudo aquilo que apontamos para ficar em casa não passam de desculpas que disfarçam a nossa preguiça e falta de sentido de comunidade. A prestigiada revista Monocle considerou Lisboa a 23º melhor cidade do mundo para se viver e acredito que o Porto também poderia figurar neste ranking se tivesse um pouco mais de “massa crítica”. Lá chegaremos.

(Este post foi escrito de acordo com a antiga ortografia, porque o novo acordo ortográfico irrita-me. lol )

terça-feira, 2 de agosto de 2011

As intenções são genuínas?

Terminada a fase mais crítica da revolução, os egípcios que acamparam durante meses na praça Tahrir, chamados pró-democracia, estão agora a ser empurrados pela polícia para fora da praça. Dureza? Não, vários civis não só literalmente aplaudiram esta decisão como alguns deles ajudaram mesmo a polícia a dispersar esses activistas.

Depois da revolução portuguesa, alguns "capitães de Abril" tiveram também alguns problemas em encontrar o seu lugar de volta na sociedade civil.

Correndo o risco de estar a generalizar:
As intenções dos revolucionários são sempre genuínas? É apenas um desejo de anarquia? É apenas a sua sede de poder a falar, mascarada por coisas mais altruístas? Ou é uma vontade realmente altruísta que a certo ponto descarrila para algo diferente?

Pessoalmente acho que a última hipótese é a que normalmente melhor se encaixa. Gosto de acreditar que os activistas começam com boas intenções, com o desejo de alterar o estado de coisas, para melhor, para diferente. No entanto, algures nesse processo, julgo que se vai desenvolvendo em muitos casos uma obsessão por poder ou uma crença que o seu ideal é o melhor. Existem estudos que provam que quando um indivíduo atinge determinado estatuto/poder na sociedade, passa a entender as suas capacidades como superiores ás do resto da população, faz parte da condição humana. Não servindo como desculpa, serve pelo menos como explicação.

Além disso, penso que a virtude desses indivíduos, que têm a coragem de lutar por um país melhor, acarreta com eles um defeito, um certo extremismo. Penso que muitas vezes não sabem quando terminar a revolução...E vão desde um extremo, até o outro, que toca o primeiro... Castro, anyone?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Catching a falling knife

O Estado tem uma habilidade para perder dinheiro incomparável. Vender por 40 milhões de euros algo que comprou (ou gastou) por 2400 milhões de euros. Estou a falar do BPN.

Neste momento tenho dúvidas que o banco valha apenas 40M. Primeiro porque a marca, apesar de tudo, é ainda valiosa. Depois porque apenas os depósitos são recursos muito valiosos nesta altura do campeonato. De qualquer forma, mesmo dando o benefício da dúvida admito que seja o preço justo.

E admito que a decisão de vender por menos do que outras ofertas que existiam, superiores a 100M, também tenha um racional, o do investidor adequado, idóneo etc.

Agora o que foi muito mal trabalhado foi a compra. Pois, um negócio tem destas coisas, é preciso comprar bem, não é só vender bem. E a compra e/ou o dinheiro que lá se enterrou para agora ter este desfecho é uma vergonha.

Agora o argumento do risco sistémico, dos depositantes, dos empregados.
Quanto ao primeiro argumento, quando se deixa muito claro, como ficou, que a nacionalização se prendia apenas com o facto de existirem fraudes, isto não dá lugar a risco sistémico. As pessoas correm ao banco quando há crise financeira e não quando há aldrabice num banco pequeno.
Quanto ao segundo argumento, para isso é que existe o fundo de garantia depósito, que se nunca entrar em funcionamento acaba por perder credibilidade. E existe o risco de se perder dinheiro com depósitos. Não existe tal coisa como taxa risk free. Podem de facto existirem pessoas que são defraudadas por bancários com menos escrúpulos que não lhes contam toda a verdade, mas para esses deveria haver lugar à indemnização e condenação respectiva. Mas isso dava para outro post, sobre a justiça portuguesa. Mesmo para as pessoas apelidadas de menos informadas, é acima de tudo uma questão de bom senso, por algum motivo o banco andava a dar taxas bem acima da concorrência... Mas a ganância é tramada. Além disso, o BPN era conhecido como o banco dos "ricos" e esses ricos supostamente tinham obrigação de ser pessoas financeiramente mas conscientes.
Quanto ao dos empregados que iriam ser despedidos...A tal proposta que ganhou, do BIC, compromete-se a manter apenas metade dos empregados, por isso não vejo qual foi a vantagem aqui...

Por último, há uma nuance, se nos próximos 5 anos os lucros do banco excederem 60M o Estado tem direito a 20% desse montante. Esta é uma cláusula usual neste tipo de negócios. Eu estou muito longe de ser um especialista em contabilidade mas sei o suficiente para dizer que é relativamente fácil ir mascarando os resultados para atrasar o reconhecimento de lucros... Basta atafulhar o banco de imparidades para crédito e outros custos upfront...E ainda dá uma imagem de gestão responsável, fica bem bonito...

Atletas e meninas



Quanto ao acidente, nem vale a pena comentar, as imagens falam por si... Resta só dizer que aquele arame é arame farpado e que o ciclista ainda a acabou a etapa e só depois.. É que levou 30 pontos na perna.

E depois temos as meninas do futebol, que sofrem uma falta e ficam a gemer no chão e ainda têm de sair das 4 linhas e receber tratamento.

Dopings à parte, numa volta a França as etapas são quase diárias, duram 5 horas, durante 2 ou 3 semanas. No futebol os jogadores queixam-se quando fazem 2 jogos por semana, sendo preciso "rodar a equipa" para os jogadores estarem frescos (what the fuck?!).

É o efeito preverso do futebol ser um desporto de massas, os atletas julgam-se uns reis. Ah, esperam lá, mas o ciclismo também é, em menor escala, um desporto de massas.

Então porquê esta diferença de comportamentos?