terça-feira, 2 de agosto de 2011

As intenções são genuínas?

Terminada a fase mais crítica da revolução, os egípcios que acamparam durante meses na praça Tahrir, chamados pró-democracia, estão agora a ser empurrados pela polícia para fora da praça. Dureza? Não, vários civis não só literalmente aplaudiram esta decisão como alguns deles ajudaram mesmo a polícia a dispersar esses activistas.

Depois da revolução portuguesa, alguns "capitães de Abril" tiveram também alguns problemas em encontrar o seu lugar de volta na sociedade civil.

Correndo o risco de estar a generalizar:
As intenções dos revolucionários são sempre genuínas? É apenas um desejo de anarquia? É apenas a sua sede de poder a falar, mascarada por coisas mais altruístas? Ou é uma vontade realmente altruísta que a certo ponto descarrila para algo diferente?

Pessoalmente acho que a última hipótese é a que normalmente melhor se encaixa. Gosto de acreditar que os activistas começam com boas intenções, com o desejo de alterar o estado de coisas, para melhor, para diferente. No entanto, algures nesse processo, julgo que se vai desenvolvendo em muitos casos uma obsessão por poder ou uma crença que o seu ideal é o melhor. Existem estudos que provam que quando um indivíduo atinge determinado estatuto/poder na sociedade, passa a entender as suas capacidades como superiores ás do resto da população, faz parte da condição humana. Não servindo como desculpa, serve pelo menos como explicação.

Além disso, penso que a virtude desses indivíduos, que têm a coragem de lutar por um país melhor, acarreta com eles um defeito, um certo extremismo. Penso que muitas vezes não sabem quando terminar a revolução...E vão desde um extremo, até o outro, que toca o primeiro... Castro, anyone?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Catching a falling knife

O Estado tem uma habilidade para perder dinheiro incomparável. Vender por 40 milhões de euros algo que comprou (ou gastou) por 2400 milhões de euros. Estou a falar do BPN.

Neste momento tenho dúvidas que o banco valha apenas 40M. Primeiro porque a marca, apesar de tudo, é ainda valiosa. Depois porque apenas os depósitos são recursos muito valiosos nesta altura do campeonato. De qualquer forma, mesmo dando o benefício da dúvida admito que seja o preço justo.

E admito que a decisão de vender por menos do que outras ofertas que existiam, superiores a 100M, também tenha um racional, o do investidor adequado, idóneo etc.

Agora o que foi muito mal trabalhado foi a compra. Pois, um negócio tem destas coisas, é preciso comprar bem, não é só vender bem. E a compra e/ou o dinheiro que lá se enterrou para agora ter este desfecho é uma vergonha.

Agora o argumento do risco sistémico, dos depositantes, dos empregados.
Quanto ao primeiro argumento, quando se deixa muito claro, como ficou, que a nacionalização se prendia apenas com o facto de existirem fraudes, isto não dá lugar a risco sistémico. As pessoas correm ao banco quando há crise financeira e não quando há aldrabice num banco pequeno.
Quanto ao segundo argumento, para isso é que existe o fundo de garantia depósito, que se nunca entrar em funcionamento acaba por perder credibilidade. E existe o risco de se perder dinheiro com depósitos. Não existe tal coisa como taxa risk free. Podem de facto existirem pessoas que são defraudadas por bancários com menos escrúpulos que não lhes contam toda a verdade, mas para esses deveria haver lugar à indemnização e condenação respectiva. Mas isso dava para outro post, sobre a justiça portuguesa. Mesmo para as pessoas apelidadas de menos informadas, é acima de tudo uma questão de bom senso, por algum motivo o banco andava a dar taxas bem acima da concorrência... Mas a ganância é tramada. Além disso, o BPN era conhecido como o banco dos "ricos" e esses ricos supostamente tinham obrigação de ser pessoas financeiramente mas conscientes.
Quanto ao dos empregados que iriam ser despedidos...A tal proposta que ganhou, do BIC, compromete-se a manter apenas metade dos empregados, por isso não vejo qual foi a vantagem aqui...

Por último, há uma nuance, se nos próximos 5 anos os lucros do banco excederem 60M o Estado tem direito a 20% desse montante. Esta é uma cláusula usual neste tipo de negócios. Eu estou muito longe de ser um especialista em contabilidade mas sei o suficiente para dizer que é relativamente fácil ir mascarando os resultados para atrasar o reconhecimento de lucros... Basta atafulhar o banco de imparidades para crédito e outros custos upfront...E ainda dá uma imagem de gestão responsável, fica bem bonito...

Atletas e meninas



Quanto ao acidente, nem vale a pena comentar, as imagens falam por si... Resta só dizer que aquele arame é arame farpado e que o ciclista ainda a acabou a etapa e só depois.. É que levou 30 pontos na perna.

E depois temos as meninas do futebol, que sofrem uma falta e ficam a gemer no chão e ainda têm de sair das 4 linhas e receber tratamento.

Dopings à parte, numa volta a França as etapas são quase diárias, duram 5 horas, durante 2 ou 3 semanas. No futebol os jogadores queixam-se quando fazem 2 jogos por semana, sendo preciso "rodar a equipa" para os jogadores estarem frescos (what the fuck?!).

É o efeito preverso do futebol ser um desporto de massas, os atletas julgam-se uns reis. Ah, esperam lá, mas o ciclismo também é, em menor escala, um desporto de massas.

Então porquê esta diferença de comportamentos?

terça-feira, 26 de julho de 2011

The land of the free



Não sei se já tiveram oportunidade de perceber em conversa comigo, mas eu considero os Estados Unidos a democracia mais perfeita do mundo. Representa a defesa intransigente dos direitos cívicos, a manutenção de um grau avançado de liberdade económica que incentiva a livre iniciativa e um processo político que permite aos cidadãos saberem sempre qual o Congressista que o representa e o que aprova/chumba durante o seu mandato.
Todos os sistemas têm defeitos mas de uma maneira geral as características que referi permitiram construir um país rico e poderoso, com o mais elevado rendimento per capita, excluindo os países micro tipo Luxemburgo.

No entanto, nas últimas semanas os políticos americanos parecem ter entrado em modo suicida. Actualmente os EUA têm um défice de 1.3 triliões de dólares e a dívida está a aproximar-se dos 100% do PIB, cerca de 15 triliões. Eles têm um limite à dívida pública na Constituição de 14,3 triliões que será atingido na próxima 3ª feira, dia 2 de Agosto. Se aquele limite não for elevado até lá, os EUA entrarão em default.

Agora o pior. Não é normal que se deixe algo tão importante para a última da hora, mas tal acontece porque o partido Democrata e o Republicano não se entendem. No ano 2000, quando o Clinton saiu, registava-se um excedente de 400 biliões. Quando chegou Bush, imediatamente utilizou esse dinheiro para baixar os impostos aos 2% de americanos que auferem mais de 250.000 USD por ano. Depois vieram duas guerras, a crise, os pacotes de estímulo, etc.
O Obama quer reverter essas reduções de impostos simultaneamente que se efectua cortes na Segurança Social e outras despesas sociais enquanto os Republicanos exigem que não se aumentem os impostos para os contribuintes que mais auferem e se façam cortes mais elevados nas despesas sociais. E assim estão, já quebraram as negociações duas vezes e o relógio vai andando. Umas das propostas que está em cima da mesa permite o país incorrer em apenas a dívida adicional suficiente para aguentar mais 6 meses e nessa altura repete-se esta "dança". Entretanto, a bolsa e a Economia andam num pequeno pânico.

O problema deles é completamente diferente do nosso, e estou certo que o resolverão a tempo, mas é só para mostrar que às vezes um país é o seu próprio pior inimigo.

domingo, 24 de julho de 2011

Descobri a solução!!



Descobri a solução para pagarmos esta enorme dívida que temos perante o exterior! Porque é que não se vende as reservas de ouro que o país detém? Aproveita-se a cotação historicamente alta do ouro e vende-se tudo!! Eventualmente recomprava-se daqui a umas décadas 10 ou 20% mais barato...

Deve haver uma boa razão para não o fazermos, mas qual é??
Ajudem-me senão não vou conseguir dormir esta noite! ;)

domingo, 3 de julho de 2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Reservoir Dogs



Não consigo por a imagem maior...Mas basicamente mostra num gráfico o diálogo entre as personagens, o tempo de discurso de cada uma. Ou seja, mostra a complexidade de criar personagens com temperamentos diferentes num enredo em que todas pareceriam iguais. O efeito final é um grande filme que quase poderia ser uma peça de teatro.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

whatever

“Years back, my father had the life philosophy that he was young and poor so he might as well do whatever he wants.
Now, my father has the philosophy that he’s old and rich so he might as well do whatever he wants.
Either way, I think he’s got it right.”

...Demasiada filosofia?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Crisis Management

Só uma nota.

Vi mais uma vez esta palavra escrita algures e pensei, “é desta”. Este é dos conceitos mais intrigantes para mim. Como raio se gere uma crise, seja ela de que natureza for, se (quase) por definição uma crise é imprevisível?! Não se deve aceitar todos os efeitos de uma crise como inevitáveis, mas pensar que se pode prever e resolver todos os danos de tal acontecimento é igualmente insensato. Damage control, isso sim é um conceito que me é bem mais querido.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Playlist

Corrida!! Alguns de nós vamos participar na corrida de S. João. Eu ainda estou em dúvida devido a lesão mas de qualquer forma já estive a preparar a minha playlist para quem quiser copiar!




Aqui fica:
Os primeiros 10 minutos serão de XX (the intro), WhoMadeWho e Joy Division, para aquecer as pernas...
Depois, até os 45 minutos ,vai ser ao som de Artic Monkeys e Bloc Party. A partir daí prevejo já ir meio morto e vou recorrer a Black keys, Fischerspooner e Kasabian.
Se no final da “Vlad The Impaler” ainda não tiver terminado, estarei em maus lençóis e recorro a TV on The Rádio e HotChip. A última música, já na 1h30m é...Jimi Hendrix (para ouvir na ambulância).

PS: Factores adicionais de dificuldade: é no dia a seguir ao festejo do meu aniversário por isso terei mais um ano, mais uns kgs e menos umas horas de sono...No pain, no game.