Há talvez uns 2 anos tive a feliz ideia de defender perante alguns de vós que os jogadores de futebol mereciam a quantidade de dinheiro que ganhavam… Quase fui agredido por sectores mais “comunas” das minhas amizades mas lá escapei ileso para hoje…defender os ordenados dos políticos e defender inclusive que deveriam ganhar bem mais! Bem sei que talvez o meu carro vá ser alvo de um cocktail molotov mas pronto...
Passando à defesa da minha “tese”,o grande erro das pessoas é pensarem que os altos salários atraem os maus políticos para cargos de governação. Pelo contrário, os salários nesses cargos não são altos, são bastante baixos para o nível de exigência requerido, o que afasta os bons políticos e profissionais desses cargos.
Reparem, um deputado Europeu ganha pelo de 6000€, um presidente da república mais ou menos isso diria eu, um primeiro ministro menos até e um deputado anda pelos 3000 ou 2000...(corrijam-me se estiver enganado pf...) Não me interpretem mal, essas quantias são muito elevadas mas no sector privado ganha-se muito, muito mais: qualquer administrador de uma empresa cotada factura facilmente 10 000€ por mês. O que levaria um desses indivíduos a ir para a carreira pública?!NADA! Esses lugares públicos ficam assim vagos para aqueles com menos escrúpulos, que vêem na politica um meio de arranjar um tacho onde ganham muito bem tendo em conta as suas capacidades miseráveis...
Vejam o caso de António Mexia ou Paulo Teixeira Pinto: Ceo’s da EDP ex do BCP respectivamente, anteriormente tinham sido políticos mas mudaram-se para o sector privado...não admira. Vejam o Pires de Lima, actual Ceo da Unicer e um “peixe graúdo” no CDS, não o vêem 100% na politica como a Paulo Portas pois não?! Há uns anos o dirigente máximo dos impostos (não me recordo o nome), que vinha a fazer um trabalho excelente na organização da máquina fiscal foi de imediato aliciado pelo BCP e não se fez rogado em aceitar o convite, não o censuro.
Qual a solução então? Como se atrai um Belmiro de Azevedo para a politica? Com €€€€€ e com uma mudança do estatuto do político, de um aldrabão para uma profissão com estatuto e classe. Bem, se esta última premissa é bastante complicada de mudar de um dia para o outro a primeira condição está já ao nosso alcance.
Obviamente que não deixará de haver os caça tachos, mas haverá também gente que quer genuinamente fazer bem e melhor e com uma capacidade técnica acima da média. Na Grécia antiga ser politico era algo superior, em Roma s coisas começaram a descambar e actualmente é o que se sabe. Para inverter o rumo dos acontecimentos atirar mais dinheiro para os bolsos dos políticos pode não ser a única solução mas é certamente um começo. Juntando a isso valores correctos e ética a coisa pode melhorar imenso.

